O Último

ESTREIA EM 2017

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O Paraíso fica em Tomar, mas é (só) um café

Depois de escrever a primeira versão de Um Cappuccino Vermelho, no final de 2002, Joel G. Gomes entreteve-se com outros projectos (entre eles uma série inspirada em lendas do sobrenatural português), mas foram poucos as que o absorveram por completo.

Ao procurar um novo rumo para a sua vida, resolveu mudar-se para a cidade de Tomar, onde frequentou um curso e onde encontrou finalmente a inspiração que precisava para criar um projecto de série televisiva, repleta de acção e mistério; e com forte influência templária, claro está.

O primeiro episódio foi escrito em poucos dias e a este se seguiram mais dois antes de parar para avaliar se o projecto tinha pernas para andar. Confiante que sim, começou a trabalhar no enredo geral para 13 episódios e no desenvolvimento dos personagens.

Entretanto, a sua vida em Tomar estava prestes a chegar ao fim e a nova fase que então se iniciaria, embora rica em termos criativos, obrigá-lo-ia a um adiar constante deste projecto em detrimento de outros que iam surgindo – alguns por convite, outros nem tanto.

Em 2014, Joel G. Gomes resolveu voltar a pegar neste projecto e apresentar uma candidatura para um concurso da RTP (à semelhança do que tentara fazer com O Mal Humano). A ideia foi repensada de raiz e reestruturada do princípio ao fim de modo a perceber até onde queria ir e por onde queria começar.

Infelizmente, as lacunas de O Último eram de tal forma evidentes que insistir em apresentá-lo, mais do que um não certo, iria dificultar ainda mais a entrada num meio onde já é bastante complicado entrar. A ideia de pegar no que havia e adaptar para formato novela (tal como resolveu fazer com O Mal Humano) só não avançou porque a falta de tempo obrigou-o a optar.

Foi então que eu apareci e tomei conta disto.

O Último (33)

Sozinho contra o mundo

O Último decorre no mesmo universo de O Mal Humano Intersecções – assim como no universo de Um Cappuccino VermelhoA Imagem – mas ao contrário destes, que contêm múltiplos enredos e um leque amplo de personagens, esta será uma série mais centrada num herói solitário (Marco Semedo), que se vê perante a difícil tarefa de salvar o mundo de um Apocalipse, apenas para descobrir que as consequências das suas tentativas de impedimento poderão ser mais nefastas.

O primeiro contacto com Marco Semedo será feito num dos prólogos de O Mal Humano (0.4: Distribuição), protagonizado por Hélder Rocha. A participação de Marco é residual para o enredo desse episódio em particular, porém as circunstâncias em que ele participa terão grande relevância em ambas as séries.

Esta breve aparição ocorre alguns meses antes do início da série, durante o funeral da sua namorada e do agente Simões, da Brigada de Crimes Macabros. Quando voltamos a encontrar Marco, verificamos que ainda não conseguiu seguir em frente. Na verdade, não só não seguiu em frente, como ainda regrediu. O seu desempenho profissional piorou ao ponto de os colegas não o considerarem mais parte da equipa. Ainda não foi despedido, mas não deve faltar muito se continuar assim.

As coisas começam a mudar (não necessariamente para melhor) quando Marco é feito refém num barco a caminho do Barreiro. Marco está treinado para lidar com aquele tipo de situações e depressa percebe que será mais seguro para os restantes passageiros deixar-se levar pelo seu sequestrador. Assim que estão longe de olhares curiosos, Marco domina o seu oponente, que diz ter vindo do futuro para o prevenir, e entrega-o a dois agentes da Polícia Urbana do Barreiro. Após prestar depoimento, vai para casa, tentando não fazer muito caso do que aconteceu. No dia seguinte, descobre que o seu sequestrador foi encontrado morto num barco salva-vidas à deriva no rio e que ele é procurado pelas autoridades. Marco começa por querer provar a sua inocência, mas logo se apercebe que a tal história do seu sequestrador ter vindo do futuro poderá não ser tão alucinante como isso.

A série será dividida em três temporadas, com 13 episódios cada. Durante a primeira temporada, Marco vai tentar (e conseguir) impedir o tal Apocalipse. Na segunda temporada terá de lidar com as consequências dos seus actos ao perceber que apenas substituiu uma catástrofe por outra. Finalmente, na terceira temporada, Marco irá compreender finalmente o seu papel, fazer as pazes consigo mesmo e tornar-se aquilo que é suposto ser.

Soa vago? É mesmo para ser. Afinal de contas, estas são só as linhas gerais. É claro que haverão mudanças no decorrer da série, algumas radicais, outras nem tanto. O primeiro episódio (em princípio) irá começar com a seguinte frase: «Apesar da necessidade de criar uma boa distância entre ele e aqueles que o perseguiam, Marco resistia à tentação de pisar a fundo no acelerador.» Se quiserem descobrir que frases se seguirão, fiquem por cá e acompanhem-me nesta viagem. Há lugar para todos.

Ricardo Neves

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