Idade Média: o tempo que não existiu?

Estava há dias a ler um texto do Prof. Galopim de Carvalho, sobre a Idade Média, retirado do blogue De Rerum Natura, quando me lembrei de algo que havia lido algures chamado “Tempo Fantasma”.

Antes de mais é preciso perceber o que foi a Idade Média. Segundo o artigo do Prof. Galopim de Carvalho,

«Situada entre aproximadamente os séculos V e XV, a Idade Média foi um tempo de alastramento do cristianismo e da vida cultural na Europa ocidental (…). Durante este período, o estudo e o ensino transitaram dos mosteiros e conventos para as chamadas escolas catedrais, criadas por toda a Europa, estas que, por seu turno, foram os embriões das universidades nos centros urbanos mais importantes, privilegiando o ensino de disciplinas como teologia, gramática, retórica, dialéctica (lógica), aritmética, geometria, astronomia, direito, medicina e música.

Com a queda do Império Romano do Ocidente, em 476, parte importante do conhecimento produzido e ensinado na Antiguidade sobreviveu graças às traduções que eruditos árabes e judeus fizeram das obras clássicas. Tal permitiu que a alquimia dos chineses, babilónios e egípcios e a filosofia dos gregos reaparecessem na Europa medieval. Foi o tempo da escolástica (do grego scolastikós, instruído), o método de pensamento dominante no ensino nas universidades medievais europeias. (…)»

O artigo é deveras interessante e merece uma leitura atenta. Há muitos aspectos sobre este período que eu confesso que desconhecia. No meu entender, porque não o estudei. No entender dos defensores do “tempo fantasma”, porque este período, ou parte dele, nunca existiu.

18lrbt43y16jijpg

Surgida no início dos anos 90, através de Heribert Illig, esta teoria sugere uma conspiração levada a cabo pelo Papa Silvestre II, o Sagrado Imperador Romano-Germânico e o Sagrado Imperador Romano Otto III, com a possível colaboração do Imperador Bizantino Constatino VII, com o objectivo de fabricar o Anno Domini, criando pessoas e eventos do nada, de modo a que o ponto de partida fosse o Ano 1000 d.C. Perto de três séculos (entre 614 e 911 d.C.) terão sido acrescentados por estas três, talvez quatro, figuras. Illig acreditava que este feito foi atingido através da falsificação de documentos e de um campanha de desinformação permanente. Segundo ele, figuras como Carlos Magno ou mesmo eras históricas como o Período Carolíngio não passaram de uma invenção.

É uma ideia interessante que poderia dar (é possível até  já tenha dado) um óptimo livro, mas é também das mais plausíveis teorias da conspiração que circulam por aí. Reparem: segundo esta teoria, cerca de trezentos da nossa história nunca existiram. Façamos as contas. Estamos em 2016, o período supostamente em falta é de 297 anos, o que nos colocaria então no ano de 1719, período de intolerância religiosa, fanatismo, guerras, instabilidade económica e grande injustiça social. De facto, não se nota grande diferença.

Por favor, deixa o teu comentário e partilha isto, não importa se achas que a teoria é válida ou que não passa de uma aldrabice.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s