DESVIOS DE PERCURSO

Uma história nunca está acabada. Seria bom que estivesse, mas somos uns permanentes insatisfeitos. Pelo menos eu sou. Começo por ter uma ideia, desenvolvo-a, altero-a e no final fico com algo que me satisfaz. Em pleno? Sim e não. Sim, porque o resultado vai ao encontro daquilo que me foi possível fazer; não, porque o resultado é diferente da ideia inicial. Fico sempre na dúvida se a concretização absoluta da ideia inicial seria melhor ou pior do que aquela que atinjo de facto. Em cada história que escrevo, além do enredo e das personagens e todos esses factores, esta é a questão com que mais me debato. E uma questão que é válida para tudo na vida.

A vida é cheia de objectivos e obstáculos. Lutamos para ultrapassar esses obstáculos, de modo a atingir esses objectivos. Mas, por vezes, essas ultrapassagens acabam por nos conduzir a novos objectivos mais fáceis de atingir, ou a diferentes caminhos de atingir o objectivo pretendido. Se alterarmos o caminho, o destino continuará a ser o mesmo?

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Na minha opinião, não. Lisboa não deixa de ser Lisboa quer eu vá para lá de barco, de autocarro, de carro, comboio, avião, ou mesmo a pé. A cidade continua a ser a mesma, mas a nossa percepção pode mudar um bocado, consoante o ponto de chegada, ou o momento. Regra geral, as coisas não deixam de ser o que são só porque a nossa forma de as viver muda.

O que pode acontecer por causa dessas variações de vivência é elas acabarem por nos levar a sítios que de outra forma não alcançaríamos. E isso lança outra questão. Até que ponto não será esse o verdadeiro objectivo? O verdadeiro destino. Penso muito acerca do destino. Não acredito no seu absolutismo, porque isso eliminaria por completo todos os erros, tentativas e esperanças de que a vida é feita, mas acredito que todos os objectivos são alcançáveis, desde que tomemos o caminho certo e tomemos atenção às placas.

Voltando ao campo da escrita, fará a diferença a quem me lê, saber que uma determinada história sofreu alterações durante o seu processo de desenvolvimento? Quando começarem a sair as primeiras histórias de O Último, quem as ler saberá que palavras foram corrigidas? Que frases foram retiradas? Que momentos foram adiados para mais tarde? Provavelmente nem pensará nisso, de tão natural que isso é. Mas se é normal o leitor ignorar estas questões, para mim é sempre algo que me fica sempre a matutar. Pelo menos até aparecer outra história.

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